O quarto estava silencioso, mas o ar parecia pesado demais. Kenichi Sato, o presidente do Grupo Imperial, um homem que construíra um império e comandara milhares de pessoas, estava deitado na cama, pálido, com os olhos marejados. Máquinas e tubos o mantinham preso àquele leito, mas o que mais o apavorava não era aquilo. Era a sensação de que alguém queria matá-lo.

Makoto Takahashi, seu motorista particular havia quinze anos, segurava a mão trêmula do presidente. Nunca vira aquele homem forte pedir ajuda. Mas agora, com a voz fraca, Kenichi sussurrou:
— Tire-me daqui. Makoto apertou a mão do presidente e olhou para a irmã, Misa, que estava ao lado, com o rosto pálido.
Ela era enfermeira particular do presidente havia dois anos e desconfiava de algo estranho. — A dose dos medicamentos está alta demais — disse Misa, com a voz trêmula. — Isso pode deixar uma pessoa inconsciente por muito tempo. Makoto respirou fundo.
Ele sabia que precisava agir rápido. A mansão estava cheia de seguranças e câmeras, mas ele conhecia cada canto daquele lugar. Com a ajuda de Misa, conseguiu entrar pela entrada dos funcionários e chegar ao quarto do presidente. Quando viu o estado de Kenichi, Makoto sentiu um aperto no peito.
O presidente, sempre tão vigoroso, estava fraco e pálido. Misa rapidamente interrompeu a medicação e aplicou um antídoto que trouxera escondido. Em poucos minutos, Kenichi abriu os olhos. — Makoto…
— a voz saiu rouca. — Tire-me daqui. Por favor. Makoto não hesitou.
Com a ajuda de Misa, colocou o presidente nas costas e desceu pelas escadas de emergência. Mas, ao chegarem ao terceiro andar, ouviram gritos:
— O presidente sumiu! Procurem por toda parte! O alarme soou.
Makoto correu com o presidente nos braços até o estacionamento dos funcionários, onde seu carro estava. Misa ficou para trás, para não levantar suspeitas. — Vai, irmão! Eu cuido disso aqui!
— disse ela, com os olhos marejados. Makoto acelerou e conseguiu escapar. Dirigiu por horas até chegar ao seu pequeno apartamento, um lugar simples, mas seguro. Lá, deitou o presidente na cama e observou-o dormir.
— Quem fez isso com você, presidente? — murmurou Makoto, sentando ao lado. Kenichi, ainda fraco, sussurrou:
— Alguém tentou me matar… mas não consigo lembrar quem.
Makoto percebeu que o presidente estava confuso, com a memória embaralhada. Mas sabia que precisava descobrir a verdade. Enquanto isso, na mansão, o filho do presidente, Koji, e a esposa, Yukiko, estavam reunidos com os funcionários. Koji parecia nervoso, andando de um lado para o outro.
— Como o presidente sumiu? — gritou ele, olhando para o chefe de segurança, Yamamoto. Yamamoto, suando frio, respondeu:
— As câmeras mostram o motorista, Takahashi, levando o presidente. — Então foi ele!
— exclamou Koji. — Ele deve ter planejado isso. Chamem a polícia! Mas o médico particular, Dr.
Sato, interveio, com a voz trêmula:
— Na verdade… o presidente estava recebendo uma dose maior de medicamentos do que o normal. Isso pode ter causado confusão mental. Yukiko, a esposa, olhou para o médico com desconfiança, mas não disse nada.
Enquanto isso, Makoto recebia uma mensagem de Misa:
— Irmão, as câmeras mostraram você saindo. Estão todos à sua procura. Cuidado! Makoto sabia que precisava se mudar.
Ele acordou o presidente e o levou para a casa de um amigo, Ryuji, que os levou de carro para as montanhas de Gunma, onde havia uma pensão isolada. Durante a viagem, Kenichi, ainda sonolento, murmurou um nome:
— Misako… desculpe… Makoto estranhou.
Misako? Quem era aquela mulher? Ele guardou aquele nome na memória. Na pensão, Makoto tentava manter o presidente seguro, mas logo descobriu que a polícia já estava atrás dele.
As notícias mostravam sua foto, acusado de sequestrar o presidente. Ele estava sendo caçado como um criminoso. Enquanto isso, na mansão, Misa tentava descobrir mais informações. Ela notou que o Dr.
Sato estava agindo de forma estranha, saindo apressado com medicamentos. Ela avisou Makoto. — O Dr. Sato fugiu!
Ele levou uma quantidade grande de remédios! Makoto contou a Kenichi, que franziu a testa. — Sato… ele estava envolvido?
Makoto decidiu procurar ajuda. Misa indicou um detetive particular, um ex-policial chamado Takayama. Makoto ligou para ele, e Takayama concordou em ajudar. Eles se encontraram em uma casa isolada, onde Kenichi contou tudo o que lembrava.
Takayama ouviu com atenção e começou a fazer perguntas. — Presidente, antes de desmaiar, houve algo incomum? Kenichi pensou por um momento e disse:
— Naquela manhã, meu filho Koji me trouxe um café. Foi a primeira vez que ele fez isso.
Takayama e Makoto trocaram olhares. Aquilo era suspeito. — Seu filho costuma fazer isso? — perguntou Takayama.
— Não. Foi estranho. Takayama começou a listar os suspeitos: Koji, Yukiko, o Dr. Sato, Yamamoto e o secretário Saito.
Todos eram próximos do presidente. Enquanto isso, Misa descobriu que o Dr. Sato havia ido para Osaka, e Yamamoto também. Eles estavam se encontrando.
Takayama conseguiu colocar um dispositivo de escuta no quarto do hotel onde estavam. Logo, Takayama ligou para Makoto, com a voz tensa:
— Eles estão falando sobre o plano. O Dr. Sato e Yamamoto estavam seguindo ordens de Koji.
E… a esposa, Yukiko, também está envolvida. Ela pode ser a mentora. Kenichi, ao ouvir isso, ficou arrasado.
Sua esposa e seu filho, as pessoas mais próximas, queriam matá-lo. — Como puderam? — sussurrou ele, com lágrimas nos olhos. Mas havia mais.
Takayama encontrou um registro de nascimento de uma mulher chamada Misako, datado de 1980. O nome de Misako aparecia repetidamente nas investigações. Kenichi, ao ouvir o nome, ficou pálido. Ele olhou para Makoto e perguntou:
— Makoto, qual é a data do seu nascimento?
— 15 de março de 1980 — respondeu Makoto, confuso. Kenichi tremeu. Ele lembrou que Misako, sua antiga secretária e grande amor, havia desaparecido depois que ele a deixou para se casar com Yukiko. Anos depois, descobriu que ela tivera um filho.
— Sua mãe… como ela se chamava? — perguntou Kenichi, com a voz embargada. — Kazuko Takahashi.
Ela morreu quando eu tinha cinco anos. Kenichi fechou os olhos. Kazuko… Misako…
Seria possível? — Precisamos fazer um teste de DNA — disse Kenichi, com esperança e medo na voz. Makoto não entendia o que estava acontecendo, mas concordou. Misa conseguiu um kit de DNA, e eles enviaram as amostras para análise.
Enquanto esperavam, Misa ligou para Makoto, emocionada:
— Irmão! Perguntei à mamãe sobre Misako. Ela disse que esse era o nome de solteira da nossa mãe! Ela mudou para Kazuko depois que se casou!
Makoto sentiu o chão sumir. Sua mãe… era Misako? A mulher que o presidente amara?
Ele olhou para Kenichi, que também estava chocado. — Presidente… Misako era minha mãe. Kenichi abraçou Makoto, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Meu filho… você é meu filho. Os dois se abraçaram, sem palavras. Depois de 45 anos, o destino os unira novamente.
Mas ainda havia muito a resolver. Takayama conseguiu provas das transferências de dinheiro de Koji para Sato e Yamamoto, e também uma gravação em que Koji ordenava que mantivessem o presidente inconsciente. A polícia prendeu Koji, Sato e Yamamoto. Koji, ao ser interrogado, confessou:
— Foi minha mãe, Yukiko, quem planejou tudo.
Ela descobriu que Makoto era o filho legítimo do meu pai e temia perder a herança. Yukiko, ao saber da prisão de Koji, fugiu. Mas foi capturada no aeroporto, tentando embarcar para Hong Kong. Ela não demonstrou arrependimento.
— Eu dediquei minha vida ao Grupo Imperial. Não deixaria que o filho ilegítimo do meu marido levasse tudo. O teste de DNA confirmou: Makoto era filho de Kenichi, com 99,99% de probabilidade. Kenichi anunciou a verdade aos funcionários e apresentou Makoto como seu herdeiro.
No tribunal, Yukiko foi condenada a 15 anos de prisão por tentativa de homicídio e fraude. Koji recebeu 10 anos. Sato e Yamamoto também foram condenados. Makoto, agora reconhecido como filho, assumiu o cargo de vice-presidente do Grupo Imperial.
Ele e Kenichi trabalharam juntos para reformar a empresa, tornando-a mais transparente e ética. Misa foi promovida a diretora da fundação médica do grupo. Takayama tornou-se consultor de segurança. Um ano depois, Makoto casou-se com Kei, sua secretária, que o apoiara durante todos aqueles momentos difíceis.
Kenichi, emocionado, abençoou o casamento. — Minha história com Misako não teve um final feliz — disse Kenichi, com lágrimas nos olhos. — Mas ver meu filho feliz me dá paz. Makoto e Kei tiveram um filho, Kenta, que recebeu o nome em homenagem ao avô.
Kenichi, agora avô, contava histórias sobre Misako para o neto. — Sua avó era a mulher mais linda e pura do mundo — dizia ele, com um sorriso nostálgico. Makoto, agora presidente do Grupo Imperial, continuou o legado do pai, sempre lembrando da mãe que nunca conheceu. Ele criou a Fundação Misako Takahashi, que ajudava crianças carentes, especialmente as de famílias monoparentais.
Kenichi, já aposentado, dedicou-se à fundação, encontrando um novo propósito na vida. Ele e Makoto, pai e filho, finalmente unidos, construíram um futuro melhor, honrando a memória de Misako. Um dia, no jardim da mansão, Kenichi olhou para o céu e sussurrou:
— Misako, conseguimos. Nosso filho está feliz.
Obrigado. E o vento da primavera levou suas palavras para o céu.


